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Ninguém Pode Servir a Dois Senhores - Parte I

Fico pensando como seria a reação de minha esposa, ou a minha própria reação, diante de uma situação: “Querido (a), quero comunicar-lhe que estou tendo um caso com um (a) amante... Mas... fique tranqüilo (a), eu jamais deixarei você!”.



O que seria normal? O cônjuge ofendido dizer ao ofensor: “Junte todos os seus pertences e suma da minha vida”, ou: “Tudo bem amor, eu entendo que você tem muito amor para dar, e eu não tenho o direito de proibir você de compartilhar o seu amor e fidelidade com outros (as). Mas posso fazer uma pergunta?” Claro que pode amor! Você não vai acabar me abandonando? – jamais isso acontecerá! Você é a mulher (O homem) da minha vida, eu só vou passar alguns dias da semana com a (o) outra (o)!


Somos capazes de conceber uma história assim, sem prever que o final será de destruição? Dificilmente, um relacionamento assim não culminará em consumação do adultério e o rompimento da comunhão do casal, ou seja, a separação.


Quando o Senhor Jesus fez sua advertência de que “ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”, esse texto passa a ter um significado muito maior, se entendermos que Jesus está falando sobre fidelidade em um sentido amplo da palavra, ou seja, em todos os aspectos da vida.


Observe que a confrontação das palavras do Mestre, gira em torno de que todo o relacionamento que traga duplicidade, poderá resultar em devoção distorcida, desprezo e confusão.


Pensando na questão do relacionamento conjugal, não conheço ninguém que tenha se envolvido com um (a) amante, que não tenha ficado com seus sentimentos confusos. Ainda, com o passar do tempo, não tenha sido envolvido completamente pelo relacionamento ilegal, colocando esse relacionamento ilegal como preferencial, acima até mesmo da moralidade, invertendo seus próprios valores, chegando a questionar inclusive, “por que o cônjuge ofendido não pode ver a (o) amante com bons olhos?”


No contexto das palavras do Senhor Jesus, Fidelidade é a expressão total, sem reservas, do tempo e do ser. O objetivo de quem ama é entregar-se completamente, não dando espaço para terceiros relacionamentos em sua vida.


O que parece mais curioso, é que ninguém “arruma” um (a) amante por ser “mau caráter”, ou da “noite para o dia”. Geralmente, há uma lacuna deixada pelo cônjuge ofendido, como uma brecha, por onde o “inimigo” se infiltra no relacionamento.


Um bom exemplo para isso, encontra-se no Jardim do Éden, quando Eva se expõe a uma conversação perigosa com o diabo. Dessa conversação, resulta a queda da raça humana pelo pecado, e consequentemente na expulsão do casal, do Jardim de Deus.


Por mais que Adão fosse culpado, por mais que não estivesse cumprindo sua função sacerdotal para com sua esposa, Deus não justificou Eva da sua decisão de trair a confiança do seu marido, e por quê? Simplesmente, porque no momento em que Eva abriu oportunidade para dialogar com o diabo sobre os “seus” problemas, ela abandonou a lealdade e a fidelidade ao seu Deus, não a lealdade a Adão.


Perceba que a serpente não põe em dúvida o relacionamento de Adão para com a esposa, e sim, o relacionamento de Deus para com a raça: “É assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim?”


Quando o amante (Satanás) tem a certeza de que, de alguma forma, já conseguiu trazer um pouco que seja de confusão para a mente e sentimentos de alguém, ele começa a colocar em xeque as diretrizes de Deus, e as ordens do Senhor, como sendo irracionais de serem cumpridas.


“É certo que não morrereis”. Deus diz: “morrerá”, Satanás diz: “Não morrerá”. Em outras palavras: “Deus está completamente equivocado”, “ele está blefando!” pode comer, não vai dar nada!


Em quem a mulher deveria acreditar? Pois é, deveria acreditar na recomendação de Deus, mas ela fez exatamente o contrário, ela creditou à Satanás sua confiança! E muitos de nós temos pensado fidelidade apenas para as coisas óbvias da vida cristã. Por exemplo: se uma pessoa não consumir uma traição com o ato sexual, então não houve pecado; mas será que é assim que o nosso Deus vê? O que nos diz a Palavra?


“Ouviste o que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mateus 5.27,28). Parece claro que o nosso Senhor, não apenas considera infidelidade como algo concretizado, mas toda a maquinação, ou seja, do projeto até a consumação também deve ser observado como adultério.


Não servir a dois senhores implica na dedicação total Àquele que dizemos ser o nosso senhor!

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