Vendo as pessoas
A condição sócio-econômica da Palestina nos dias de Jesus era muito precária. Os judeus passaram por vários anos de exílio, sem um liderança política; sem investimentos públicos; estrutura social arraigada ao s clãs familiares; além da exploração imposta pelo Império Romano. Nestes dias, a pobreza era grande – a própria família em que o Senhor Jesus nasceu e cresceu, era uma família pobre. Ao ser apresentado no templo (Lc. 2:22-24), José e Maria ofereceram no sacrifício, um par de rolas ou dois pombinhos, conforme a lei determinava aos mais pobres (Ex. 13:2,12; Lv. 12:6-8).
Portanto, terem “problemas” de fome ou doenças era perfeitamente comum. E este é o perigo que corremos: acreditar que as coisas são assim mesmo, e que não poderemos fazer nada para mudar.
Em Jo.6, após ter multiplicado os pães e peixes, Jesus se retira para Cafarnaum, e a multidão o segue. No verso 26, Jesus lhes adverte “... vós me procurais, porque comestes do pão e vos fartastes”. Mesmo assim, o que me chama a atenção, é a forma maravilhosa como Jesus sempre olhava para estas pessoas, sempre de forma amorosa, vendo-os individualmente, e não a massa.
Mc. 6:34 diz que “... viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles...”. Uma das maiores dificuldades em nossos dias é VER, e quando vemos, não nos compadecemos, porque estamos tão “ocupados”, nossa agenda é tão apertada, que logo esquecemos aquilo que acabamos de “ver”. O tempo é escasso, os compromissos são muitos, e temos sempre aquele velho dilema: optar pelas prioridades. E qual tem sido a prioridade da Igreja?
Como Igreja, precisamos VER as pessoas. E a compaixão é a chave para ver e nos levar a agir, pois é movida pelo amor (I Co. 13:2).
Qual a necessidade das pessoas que vemos? Pode ser uma palavra, por vezes será ouvir sua história, ou uma visita, uma oração, um testemunho, o socorro... cada pessoa tem a sua necessidade. Deus nos tem abençoada para sermos benção na vida uns dos outros. E isto só é possível quando tiramos os olhos de nós mesmos, e nos dispomos a ver – não somente dar uma olhadinha!
Passamos muitas lutas. Todo crente passa as suas, mas quando olhamos à volta, sempre achamos alguém que precisa de nós. Se nos dispusermos a ver tais pessoas, veremos que enquanto cuidamos de outros, o Senhor age por nós. A ênfase do Cristianismo é o outro, o próximo, não o egocentrismo. Pense nisto!!!
Marizeli S. dos Santos

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