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Santidade Com Poder


Se quisermos conhecer a vontade de Deus e seu poder que nos capacita a realiza-la, temos de nos dedicar ao estudo do assunto do plano de Deus para nós, conforme é revelado na Bíblia. A vontade de Deus é revelada claramente, logo nos primeiros capítulos do primeiro livro da Bíblia, onde temos o privilegio de assistir a uma reunião conciliar celeste realizada antes da criação: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio”... (V.26). Nessas breves palavras, Deus revela seu plano para a humanidade. Podemos ainda resumi-las em duas: imagem e domínio. Ou podemos usar outras palavras que tem o mesmo sentido: santidade e poder, ou seja: santidade com poder. Essa é a vontade de Deus para nós.

Adão foi feito à imagem de Deus. Uma vez que Deus não tem forma física ou peso como nós, essa “imagem” se refere ao espírito: uma imagem espiritual ou santidade – santidade de caráter. “Domínio” refere-se tanto à vocação do homem como à autoridade e poder na execução de sua incumbência. Nós chamaríamos isso de poder. Deus queria que o homem que ele criara tivesse grandes características básicas:  santidade e poder – nessa ordem.

A ordem é importante, porque é a santidade que habilita o homem a fim de que possa fazer uso acertado do poder. Inverter a ordem seria não só perigoso como também errado. A grande obra divina da santificação, operando o perdão dos pecados, a purificação do coração e a renovação, tem de vir primeiro como obra fundamental da graça de Deus. No plano de Deus, após a santidade vem a concessão do poder, tanto para a vitória diário no viver, como para o serviço frutífero. Em outras palavras, a santificação possui dois aspectos: o negativo, que é a submissão integral e a purificação do coração; e o positivo, que é o batismo e a plenitude do Espírito Santo, recebido pela fé e trazendo poder para uma vida santa e frutífera.

É realmente estranho que haja grandes grupos de comunidade dos cristãos que não demonstram nenhum interesse nem na santidade nem no poder. O que é ainda mais estranho é que aqueles que se interessam pela santidade, ao que parece, não têm nenhum interesse no poder (conforme demonstrado nos dons do Espírito). E aqueles que se interessam pelo poder aparentam pouco interesse na santidade como marcante experiência cristã a ser recebida pela fé.

Todo crente, em alguma fase de sua experiência, sente profundo desejo de possuir tanto a santidade como o poder. Com o tempo, porém, pelos ensinos errôneos ou de falta de ensino, a grande maioria dos crentes parece perder seu interesse, quer na santificação integral, quer no batismo com o Espírito Santo. Efetivamente, muitos se interessam mais em provar que a santidade está fora de seu alcance e que o poder não é para os nossos tempos. Como consequência, confiam mais no poder da organização do que no poder do Espirito Santo.

Por um lado, as denominações “holiness” (santidade), apesar de ensinarem com bastante clareza a santificação integral, ficam alarmadas se alguém fala em dons do Espírito, principalmente o dom de línguas. Por outro lado, temos muitos dos pentecostais que creem que o batismo com o Espírito é para os nossos dias, parecendo ter tido essa experiência e exercer os dons, porém, por estranho que pareça, demonstram pouco interesse na graça e poder santificadores de Deus. Como é fácil pendermos para um lado só!

Sabemos, naturalmente, que, ao receber o perdão dos pecados, nascemos de novo e ser adotado na família de Deus, tornamo-nos “herdeiros de tudo”. Uma coisa, porém, é sermos herdeiros das bênçãos que no são prometidas, e  outra é possuirmos efetivamente aquilo que as Escrituras declaram nos pertencer.
Precisamos voltar para o princípio e ler cuidadosamente o plano original de Deus. Ele deseja que sejamos santos. Ele quer que seja nosso o poder: poder com santidade. Deus jamais abandonou seu plano para nós. O homem pecou, perdendo tanto a santidade como o poder; mas ambos nos são restaurados e postos à nossa disposição através da obra redentora de Cristo. Precisamos nos voltar para Deus, buscando aquilo de que, conforme sabemos intimamente, temos real necessidade.

Precisamos ser perdoados e purificados de todo pecado, mas também necessitamos receber o poder para uma vida cristã santa, vitoriosa e frutífera. Para isso, precisamos ser batizados e enchidos pelo Espírito Santo. Não adianta querer dizer que todos os cristãos são batizados com o Espírito, quando intimamente sabemos que ainda não gozam essa experiência bendita. Precisamos de toda manifestação do Espírito que a Bíblia apresenta como pertencente ao cristão.

Pr. Ted A. Hegre
Fundador da Missão Evangélica Betânia

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