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Marginalidade e Dignidade

Em Mt. 12:9 – 14 traz a narrativa da cura de um homem que tinha uma das mãos ressequidas, feita por Jesus em pleno sábado. O problema daquele homem lhe trazia um sério agravante social – a marginalidade.  Ele, certamente, não podia trabalhar e se sustentar, vivendo das doações dos corações generosos que surgiam por onde ele estava,  sendo “mais um” dos muitos mendigos da Palestina dos dias de Jesus, tão explorada política e economicamente.

O homem se encontrava na sinagoga, não porque os judeus se compadeciam dele, mas porque queriam testar Jesus (v.10). Caso os judeus tivessem uma postura social de acordo com os princípios de Deus, aquele homem estaria em casa, sendo medicado, e receberia mensalmente uma pensão para sustento, pago pela própria sinagoga, que a propósito, tinha recursos suficientes para tal.

Mas o problema daquele homem foi “usado” para por Jesus à prova. Quantos problemas pessoais estão sendo “usados” pelos púlpitos afora, para fins extremamente institucionais, sem pensar nas pessoas? Eles não pensaram no homem, na sua situação, nos seus sentimentos, na exposição pública e na humilhação que estaria passando... Mas Jesus pensou!

Ao curá-lo, Jesus resolveu um problema bem mais sério do que a cura física – ele lhe deu dignidade. A sua estrutura social foi modificada, porque de desprezado e marginalizado, ele passou a ser um judeu como outro qualquer – podia trabalhar,  constituir família, viver!

Quantas vezes aquele homem foi humilhado, ou constrangido pela sua deficiência? Quantas portas de emprego lhe foram fechadas? Quantas pessoas preferiram atravessar a rua para não ter que passar perto dele? Talvez, sua própria família o tenha desamparado.

Existem pessoas que precisam de melhorias em sua qualidade de vida, outras precisam de uma orientação, outras de um profissional melhor qualificado na medicina. Outras, ainda, precisam de oportunidades. E a pergunta que não cala é a mesma: “O que a Igreja tem feito para socorrer estes necessitados?”.

Somos chamados a manifestar o amor de Deus às pessoas, mas para isso, precisamos estar perto delas, e ter a correta percepção das reais necessidades que as afligem. Precisamos ter o olhar amoroso de Jesus, e não a postura superficial da religiosidade. As pessoas estão carentes de ouvir falar de Cristo, e o Evangelho de Cristo as leva à dignidade!

Marizeli S. dos Santos

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