Por que o justo sofre?
A questão do sofrimento dos justos ocupa um lugar central na narrativa do livro de Jó. E isso faz desse livro um livro polêmico. Na época em que foi escrito, as pessoas não acreditavam que os justos pudessem sofrer. Pelo menos, não por muito tempo – às vezes, dentro do contexto da igreja, tem pessoas acreditando que o crente não sofre, não por muito tempo; será?
A crença naqueles tempos tão distantes de nós era que, sendo Deus perfeito, o mundo também teria de ser perfeito. De acordo com esse pensamento, todas as ações boas ou más deveriam ser recompensadas nesta vida. Se alguém sofresse doenças ou infortúnios isso era sinal de pecados graves. Essa forma de pensar da antiguidade equivale a chamada Doutrina Tradicional da Retribuição. Em resumo: “aqui se faz, aqui se paga”. Neste aspecto, parece que as coisas não mudaram tanto assim....
Não sabemos, ao certo, quem foi o autor do livro de Jó (muitos acreditam ter sido Moisés). Mas uma coisa fica clara: esse autor era um homem piedoso, que tinha intimidade com o Senhor, que seguia e respeitava os ensinamentos do Judaísmo. Mas, discordava dessa tal Doutrina Tradicional da Retribuição.
A opinião do autor do livro de Jó é que associar dor e pecado é desumano. No livro, ele procura mostrar essa sua opinião trazendo os leitores o caso de Jó. Toda aquela sociedade sabia que ele havia sido um exemplo de fé e virtude. Mas, mesmo assim, havia passado por aflições que era difícil acreditar. Como aquela sociedade, influenciada pela Doutrina da Retribuição, explicaria essa tragédia?
O autor procurou, não só uma resposta mais exata para o sofrimento do justo, mas também apresentar um novo ensino que fosse capaz de explicar a questão do sofrimento do justo. Se as tragédias não podiam ser atribuídas às falhas humanas, como explicá-las então? Como entender um Deus justo e, ao mesmo tempo, ver e viver num mundo tão desigual? Como entender um Deus santo sem a Doutrina da Retribuição? Se for verdade que os justos sofrem, por que sofrem? O que faltaria a Deus: Poder ou Bondade?
Jó acreditava em uma resposta para estas perguntas. Ele se esforça corajosamente para encontrar respostas. Jó não se conforma com as respostas simplistas que as pessoas de sua sociedade apresentaram. Com todas as suas forças, Jó se dirige a DEUS em busca da verdade. O que Jó queria era ouvir a voz do Senhor.
Jó é um livro universal. Temos ali a agonia de um coração massacrado pela dor e pela dúvida. Esses fatos ruins trazem aflições e trazem também questionamentos. Coisas ruins nos forçam a refletir sobre a vida e põem em evidência nossa fé e nossas convicções. Somos forçados a enfrentar perguntas que, em situação de alegria e prazer, não ousaríamos nem imaginar.
O livro de Jó é o clamor da humanidade. Ainda hoje o sofrimento e a dor atormentam uma multidão de pessoas. O que dizer das tragédias naturais, das guerras e mortes, das tragédias particulares, como as perdas dos entes queridos? É verdade que nem todos sofrem como Jó sofreu. Mas todos sofrem. Não há ninguém que não conheça o gosto da dor.
Neste ponto, muitos não conseguem perceber o agir de Deus em meio ao sofrimento, porque se concentram tanto na dor e no sofrimento, na sua situação particular, que não observam a graça e a misericórdia do Senhor. Para estes, o sofrimento dura mais, quando não são submergidos por ele.
Como Jó, não encontraremos conforto nos conceitos da nossa sociedade, somente em Deus. Ao final de seu sofrimento, ele conheceu, de fato, a Deus.
Pr. Ezequias Costa
Estudo do Livro de Jó
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