Deus rejeita o sincretismo
O sincretismo religioso que Israel viveu, relatado em I Reis 12 ao 16, o meio termo entre o monoteísmo judaico e o politeísmo cananeu, foi totalmente rejeitado pelo Senhor Deus.
Com a divisão do reino, Jeroboão, rei de Israel (norte), passou a considerar que o santuário central e suas normas, em Jerusalém, reino do sul, prejudica sua base de poder político. Receava que as freqüentes viagens a Jerusalém para prestar culto a Deus faria com que o povo se voltasse para aquele reino, mesmo tendo sido advertido por Deus do contrário, apenas que deveria manter-se fiel (I Rs.12:26,27), através do profeta Aías.
Desobedecendo a Deus, ele constrói um altar em Dã, na fronteira norte, e outro em Betel, fronteira sul, comprometendo a singularidade de Jerusalém. Introduz o culto ao bezerro de ouro para representar a presença de Deus nestes novos centros de adoração, e num ambiente como o cananeu, essas imagens rapidamente passam a ser veneradas como ídolos (I Rs.12:28-30). O rei nomeia homens não-levitas para assumirem o sacerdócio (12:31) e festas (12:33).
O rei Jeroboão propôs reter as formas da fé mosaica alterando seu conteúdo. A nova religião também permitiu que as nações circunvizinhas de Israel identificassem o Deus Todo-Poderoso com seus deuses – e o pior, os próprios israelitas o fizeram. Em outras palavras, o rei ofereceu ao povo uma fórmula prática de transformar o santo em profano, a revelação dada por Deus em religião comum.
A atração em manter o sincretismo pela manutenção do poder é tão forte, que Roboão, rei de Judá, o reino davídico do sul, decide acolher os métodos de Jeroboão (14:21-24), atitude que com uma única exceção – o rei Asa – também o fazem todos os demais reis que governam tanto Judá como Israel (15:1 – 16:20).
Deus os havia advertido quanto à idolatria e à desobediência antes de entrarem na terra (Lv.26 e Dt.27 e 28). A ameaça do castigo de Dt.28:36,37, confirmada pelo profeta Aías (14:14-16) de fato acontece em 722 aC (norte) e em 5 XX (sul) – a quebra da aliança os levou à perda da terra.
Israel não se arrepende, e parte do sincretismo para o politeísmo ostensivo – da religião profana do rei Jeroboão para o baalismo total, religião Cananéia. Deus rejeita o sincretismo, porque a mescla profana o santo. Ou vivemos de forma digna do Senhor, ou não.
Paul R. House
Teologia do AT – Ed. Vida
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